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segunda-feira, 13 de agosto de 2018
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Começou na quinta-feira (9) na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, a mostra Redescobrindo Yukio Mishima, com filmes protagonizados ou baseados na obra do escritor japonês, considerado um dos mais importantes do século XX. O evento, que segue até 18 de agosto, inclui também roda de leitura, palestra e uma apresentação de butô, dança típica japonesa criada na década de 1950. Todas as atividades serão realizadas na sede da Cinemateca, ligada à Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura.

Nascido em Tóquio, em 1925, Mishima alcançou grande sucesso literário aos 24 anos, com a publicação de Confissões de uma máscara, romance de tom biográfico sobre um jovem que se apaixona platonicamente por um colega mais velho. Em seguida, romances como Cores proibidas, O Templo do Pavilhão Dourado e O marinheiro que perdeu as graças do mar consolidaram seu prestígio.

Profundamente interessado por artes marciais, Mishima se juntou a outros praticantes para formar o Tatenokai (Sociedade da Armadura), entidade comandada por ele e dedicada aos valores tradicionais japoneses e ao culto ao imperador. Em 1970, acompanhado por membros do grupo, Mishima rendeu o comandante do Quartel General das Forças de Autodefesa Japonesas em Tóquio, em uma tentativa de persuadir os soldados a restituírem os poderes ao Imperador Showa. Comprometido com o Bushido (o código de conduta samurai), Mishima cometeu o ritual suicida seppuku diante de seus companheiros. À época, acabara de concluir sua tetralogia O mar da fertilidade.

Sua obra, de forte teor homoerótico, é permeada pelo embate entre as tradições culturais e a vida moderna no Japão. Por três vezes, concorreu ao Prêmio Nobel de Literatura. Teve diversas obras traduzidas e publicadas no Brasil durante a década de 1980.

Além de O Homem do Vento Cortante, a mostra vai exibir filmes como Conflagração, de Kon Ichikawa, O equívoco da virtude, de Kô Nakahira, Mar inquieto, de Senkichi Taniguchi, e Neve de primavera, de Isao Yukisada, entre outros.