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A História da Arte possui várias lacunas. Na Grécia Antiga ou em momentos mais recentes, como no começo do século XX na Rússia, diversas obras foram destruídas ou desapareceram, dificultando que suas histórias sejam contadas. Em Moscou de 1930, a escola soviética de artes Vkhutemas foi fechada pelo regime stalinista. Dessa forma, uma das mais importantes revoluções artísticas do modernismo foi apagada.

Pensando em mostrar a influência dessa escola e dos artistas que passaram por ela, o Sesc Pompeia realiza a exposição “Vkhutemas: O futuro em construção (1918 – 2018)”, com curadoria Celso Lima e Neide Jallageas. A mostra estreia dia 26 de junho e recria cerca de 300 projetos de 75 artistas, designers e arquitetos da Vkhutemas, ficando exposta até dia 30 de setembro.

“A exposição se afasta de uma proposta museológica, ou seja, da apresentação de obras originais. Nossa intenção era realizar um resgate histórico da Vkhutemas, com a reconstrução material dos acervos, e promover uma discussão ampla sobre as pedagogias e os processos da escola, que revolucionaram as artes e o design modernos e até hoje reverberam nas mesas de criação por todo o mundo”, explica Celso Lima, pesquisador da história do design e curador da mostra.

Com o fechamento abrupto e a destruição das obras, o impacto da escola soviética muitas vezes não é reconhecido. Após o encerramento das atividades da instituição, mestres da Vkhutemas passaram a lecionar na escola alemã Bauhaus – uma das mais renomadas quando o assunto é modernismo –, difundindo um toque russo aos projetos realizados nessa. A escola soviética ressoou também em grandes obras arquitetônicas, inspirando o projeto das Oficinas de Criatividade do Sesc Pompeia, concebidas por Lina Bo Bardi, e do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA).

Sua inauguração ocorreu em 1918, inspirada pela revolução russa que ocorreu um ano antes, que propunha ideais de liberdade. A escola se distanciava do movimento conhecido como “belas-artes”, funcionando como um espaço de experimentação, alinhada à vanguarda do pensamento estético, principalmente às correntes futuristas, suprematistas e construtivistas. Utilizando a arte como um instrumento educativo e de transformação social, os objetivos centrais da Vkhutemas eram democratizar o ensino, combater o analfabetismo e promover a emancipação feminina. A escola revolucionou a arquitetura da época, formando, em 1920, trinta mulheres na área – entre elas Liubov Zaliésskaia e Lidia Komárova.

Entre os projetos recriados para “Vkhutemas: O futuro em construção (1918 – 2018)”, estão obras de artistas como Ródtchenko, Tátlin, Kandinsky, Maliévitch, El Lissítzki, Zaliésskaia e Komaróva. “Oferecemos ao público uma seleção sintética da produção de grandes mestres, com destaque para as estruturas físicas e tridimensionais de gesso Arkhitekton, criadas por Kazimír Maliévitch, o projeto A Cidade Flutuante, do arquiteto Gueórgui Krútikov, as peças de roupas desenvolvidas por Liubov Popova e Várvara Stepánova”, cita a pesquisadora de cultura russa e curadora da exposição, Neide Jallageas.