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quinta-feira, 7 de junho de 2018
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A Verve Galeria inaugura “O Inquietante“, coletiva composta por trabalhos de 9 artistas: Farnese de Andrade, Flávio Cerqueira, Francisco Hurtz, Luciano Zanette, Luc Dubois, Monica Piloni, Tomoshige Kusuno, Walmor Corrêa e Wesley Duke Lee. Sob curadoria de Ian Duarte Lucas e da italiana Agnese Fabbiani, a mostra é composta por esculturas, pinturas e fotografia, e busca instigar no espectador sentimentos diversos sobre o universo do estranho através das artes visuais, seja pela temática como pelos materiais que despertam as mais profundas inquietações, abordando o estranho e as reações que são desencadeadas a partir deste contato. A proposta integra a programação da Verve Galeria, que busca estabelecer pontes entre artistas de diferentes gerações com seus artistas representados, assim como artistas de galerias parceiras, como o caso de Monica Piloni, representada pela Zipper Galeria, no intuito de abrir diálogos e integrar o circuito.

Emprestado da psicanálise – “O Inquietante“, texto homônimo de Sigmund Freud publicado em 1919 – o conceito da nova exposição da Verve Galeria coloca o expectador de frente com o que é mantido oculto, mas que de alguma forma vem à tona como algo estranhamente familiar. “De natureza ambígua, no despertar de nossas mais profundas inquietações, não raro o assombro é substituído pela mais irresistível atração. Encontra-se aí a gênese de nosso incômodo: a inquietação diante do sombrio que se revela em nós mesmos.“, comentam os curadores.

Como Freud descreve em seu ensaio, algumas possibilidades que despertam a sensação de estranhamento podem representar o momento em que as fronteiras entre a fantasia e a realidade se apagam, assim como a estranha sensação de se olhar no espelho, o incômodo que emerge quando complexos infantis, que haviam sido reprimidos, revivem por meio de alguma impressão, ou ainda quando certas crenças primitivas superadas parecem outra vez se afirmar.

Das bizarras cenas de Hyeronymous Bosch, passando pelos surrealistas, que encontraram embasamento teórico no repertório de imagens reprimidas enquanto expressão do inconsciente, dos sonhos e de outras inúmeras teorias freudianas relativas ao medo da castração, aos fetiches e ao sinistro, é fato que o tema sempre esteve presente na história da Arte.”A proposta da presente exposição é a de investigar estes diversos processos que encontram paralelo nas artes visuais, possibilidade que uma exposição coletiva permite investigar em seus diversos desdobramentos” concluem os curadores. A mostra contará ainda com trabalhos históricos dos artistas Farnese de Andrade, Tomoshige Kusuno, e a Série das Ligas, de Wesley Duke Lee, que causou polêmica quando exposta pela primeira vez nos anos 60, justamente pelo estranhamento causado por sua temática, fazendo um recorte temporal do tema e a importância de sua discussão, sempre atual.