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quarta-feira, 16 de maio de 2018
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De uma conversa entre a dentista Simone Carrara e o estilista Diego Cattani nasceu a Cumaru, galeria pop-up que será inaugurado hoje com uma homenagem a Brasília. Ela, nascida na capital, cultivava o sonho de movimentar a cena artística local. Ele, de Sergipe e radicado em Milão, sempre se deslumbrou com o contraste entre a paisagem modernista e a natureza rústica do Planalto Central.

Juntos, decidiram criar a galeria em um formato que tem sido muito usado na moda: reunir a produção de criadores em um espaço temporário por um tempo curto e determinado. Montada provisoriamente na casa de Simone, a Cumaru é uma espécie de piloto de um projeto que pode se tornar itinerante e regular. “Não somos ainda um espaço comercial”, avisa Cattani. “É um laboratório experimental para que a gente sinta o mercado”, completa.

Cattani, que é estilista e dono da marca Die EGO, convidou Juliana Freire, de São Paulo, para dividir a curadoria de Pouso alto. A exposição de estreia reúne 13 artistas, entre eles alguns nomes de Brasília e outros de São Paulo, como Ana Mazzei, Lucas Simões, e Ricardo Alcaide e Sérgio Niculitcheff. Entre os artistas da cidade estão David Almeida e Julia Milward.

“Eu tinha muito desejo de reverenciar Brasília e o Planalto Central e minha relação com a cidade é de puro deslumbre. A beleza estonteante tanto da capital quanto da natureza me guiaram”, avisa o curador, que procurou escolher artistas que tratassem dessas duas questões.

Todos os trabalhos, Cattani garante, dialogam com duas características que ele considera indissociáveis da capital. Uma delas é a espiritualidade, a busca do divino, o lado místico que paira na cidade construída entre o sonho de Dom Bosco e a devoção esotérica do Vale do Amanhecer.

A outra vem da própria estrutura física de Brasília, do modernismo que a gerou, das curvas e retas projetadas por Niemeyer e da horizontalidade inerente à geografia local. “Hoje é quase indissociável falar do Planalto Central e não falar de espiritualidade, então busquei artistas que tratassem disso, de natureza e divindade, ou artistas que se relacionassem com arquitetura e espaço”, explica o curador.

A primeira exposição da Cumaru vai ocupar os espaços de circulação comum da casa de Simone. Para adaptar o local, Cattani trabalhou com um mobiliário que permitisse uma ambientação mista: “Nem tão galeria, nem tão casa”

“Brasília tem artistas incríveis, mas é muito estéril e eles acabam saindo. Nossa ideia principal é fixar o artista aqui, a gente precisa de artistas”, garante Simone. “E também atrair gente de fora, mostrando que a cidade é um lugar legal para se fazer arte.” Depois de Pouso alto, a dupla planeja duas outras exposições, a serem realizadas em agosto e setembro.