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Em sua produção, Sandra Mazzini investiga um tema caro à história da arte: a paisagem. Consagrado pelos pintores holandeses no século XVI, o gênero passou por inúmeras transformações, chegando a ser deixado de lado por parte da arte conceitual, para emergir novamente na produção de artistas contemporâneos como o alemão Anselm Kiefer e o brasileiro Paulo Pasta. É a partir desse contexto de renovação da paisagem que Mazzini concebe suas pinturas, exibidas em sua primeira individual na Janaina Torres Galeria, em São Paulo.

Intitulada Como os rios correm para o mar, a mostra reúne cerca de dez obras produzidas nos últimos anos. Nos trabalhos, é possível identificar elementos figurativos que são sobrepostos por formas geométricas, numa espécie de “quebra-cabeças”, como define Sandra: “A pintura é uma técnica complexa que possibilita vários desdobramentos de sentidos. Nas minhas obras, há várias pinturas dentro de uma só. É uma espécie de trama composta por unidades autônomas”.

Para o artista Sergio Romagnolo, que assina o texto de apresentação da mostra, a produção de Sandra exige que o público tenha um olhar ativo. “As manchas coloridas, em alguns momentos, quase abstratas, se juntam e formam paisagens complexas. As pinturas de Sandra ativam a visão, fazem o observador se aproximar da tela, ver as bordas e depois se afastar novamente na tentativa de ver mais longe”.

Nesse jogo de ótica, as obras se distanciam de uma representação realista, apresentando uma paisagem fragmentada. Familiarizada com o trabalho de Sandra, a artista Leda Catunda afirma que suas obras trazem uma “visão poderosa, alterando o real para em seguida reapresentá-lo repleto de nuances particulares e vibrações improváveis”.

Todos os trabalhos expostos são figurativos, retratando elementos da natureza. São árvores, folhas e flores que emergem nas pinturas de Sandra, que tem como grande referência os artistas Luiz Zerbini e Ana Elisa Egreja. “Aos poucos, as plantas se tornaram o tema central da minha produção. Elas acrescentam movimento ao trabalho, rompendo com a rigidez das formas geométricas”, conta.

Esse olhar bucólico é inspirado nas memórias familiares da artista, cujos avós eram agricultores em Ibiúna, no interior de São Paulo. Na tela Mangueiras e Barranco em Ibiúna, por exemplo, ela representa uma árvore, cujos frutos estão escondidos por sacos. A técnica era empregada pelos seus avós para proteger as mangas dos insetos e acelerar o seu amadurecimento. Lembrança afetiva, o cenário rural aparece em grande parte das obras, configurando “um mundo introspectivo, caseiro e silencioso”, como afirma Romagnolo.