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terça-feira, 14 de novembro de 2017
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No dia 21 de novembro de 2017, a Japan House São Paulo abre a exposição “Futuros do Futuro”, sua última exposição do ano, assinada pelo arquiteto japonês Sou Fujimoto, em cartaz até 14 de fevereiro. Com produção de TOTO GALLERY · MA, de Tóquio, a mostra é composta por painéis e pequenas maquetes que retratam parte do trabalho deste que é um dos nomes mais inventivos e aclamados da arquitetura internacional.

A exposição retrata a ambiguidade presente no trabalho do arquiteto japonês de 46 anos, nascido em Hokkaido, atualmente morador de Tóquio. Natural de uma cidade cercada por natureza, Sou Fujimoto encontrou no contraste das estreitas ruas da capital e suas pequenas e características casas, a essência de seu estudo sobre projetos arquitetônicos, como a relação entre os espaços internos que se confundem com os externos, como quintais que se assemelham com ruas e ruas que são ocupadas como quintais.

No térreo, o tema “Arquitetura Está em Toda Parte” mostra 70 peças que propõem uma aproximação com o público em geral e uma experiência de pensamento sobre novas possibilidades de uma “arquitetura a ser encontrada”. Neste momento, simples parafusos ou caixas de fósforos são retratados como inimagináveis potenciais arquitetônicos. Aqui, temos maquetes que surgem do inusitado e interessante”, declara Sou Fujimoto.

No segundo andar, o tema “Futuros do Futuro” mostra 50 peças e 20 painéis de trabalhos antigos e recentes do arquiteto. Neste panorama, que apresenta maquetes de projetos icônicos e outros que ainda estão em andamento, é possível observar a proposta de Sou Fujimoto para a arquitetura do futuro, incluindo suas tentativas, acertos e erros. A “imaginação da imaginação” pode ser observada em maquetes de projetos que ainda não foram executados e que, de alguma forma, servem como semente para idealizar o futuro na arquitetura.

Nos trabalhos de Fujimoto, a ausência de delimitações é constante, como em um dos pavilhões temporários, instalado em 2013, no jardim da Serpentine Gallery, em Londres. Apelidada como “Nuvem”, a estrutura tridimensional translúcida é feita de hastes de aço de 20mm de diâmetro que somam 8km, pintadas de branco, e que traduzem com beleza a criação de algo artificial que não anula o que é orgânico, conversando com o local onde está instalada, neste caso, no Kensington Gardens.

A visão utópica de Sou Fujimoto, que relaciona características das florestas em seus projetos arquitetônicos, revela ideias engenhosas como a House NA: uma casa transparente vertical localizada em Tóquio, com 914 m², feita de concreto, cercada por vidros em toda a sua estrutura, com espaços internos vazados que variam entre 1,95m e 7,52m. Os espaços são ligados por escadas e patamares, incluindo degraus fixos e móveis. Quem está fora, enxerga o que está dentro, quem está dentro enxerga o que está fora. O arquiteto faz uma analogia sobre a House NA, uma casa sem pilares, vigas ou telhados.

Expandir o potencial da arquitetura com projetos audaciosos é uma forte característica de Sou Fujimoto. A relação entre o ambiente e o homem está presente em diversos detalhes de seu trabalho. O arquiteto assina o projeto da Musashino Art University Museum & Library, em Tóquio, que tem como proposta instituir uma nova relação entre os livros e o usuário. Com dois andares, uma única estante com paredes de 9m de altura, em espiral, ocupa o espaço circundo de 2.883 m².

Além desses locais, os trabalhos de Sou Fujimoto podem ser vistos hoje em diversas partes do mundo. O profissional mostra uma arquitetura única, que sempre se relaciona com algum aspecto natural, um diálogo sobre a harmonia entre a complexidade e a simplicidade. Para ele, o futuro exige uma reconexão com a natureza, um resgate de algo que se perdeu ao longo do tempo.