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segunda-feira, 18 de setembro de 2017
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Desenhos criados a partir de incisões e corrosões em superfícies duras, posteriormente utilizadas como matrizes para a impressão em papel. Ao longo dos mais de 20 anos de carreira, a prática foi trabalhada à exaustão pela gravurista Cris Rocha. Reconhecida por suas gravuras em metal, a artista plástica tem agora se aventurado por novos caminhos, aliando as técnicas tradicionais que domina ao processamento digital. E é o resultado desse experimento que ela apresenta em CRIS ROCHA – da gravura e além, em cartaz até 22 de setembro, na ArtEEdições Galeria. A exposição, que tem curadoria de Maria Alice Milliet, reúne 15 trabalhos da artista, alguns deles ainda inéditos.

“Com a incorporação da tecnologia digital ao meu trabalho, quebro uma série de barreiras, muitas vezes impostas por limites físicos, pelo tamanho da prensa, dos papéis ou mesmo das matrizes. Quando digitalizamos, ganhamos uma série de matizes e tornam-se infinitas as possibilidades. E isso dá um frescor ao meu trabalho que considero bastante importante”, afirma Cris.

Nesse processo, a gravura deixa de ser encarada como um produto final e converte-se em signo primeiro de um processo criativo que inclui a combinação, o tratamento e a impressão de imagens digitais. Figuras de sua autoria são fragmentadas e fundidas umas às outras, muitas vezes sobre panos de fundo de cores fluidas, concebidos a partir da gravação em água tinta sobre metal.

Em sua primeira individual na capital paulista, a artista traz composições que transbordam poesia. Algumas das séries apresentadas, por exemplo, trazem um mundo de formas sinuosas, de reflexos e transparências, construído a partir de linhas ondulantes e manchas difusas que parecem sugerir paisagens tomadas pela água. Em outras, incontáveis riscos insinuam um horizonte tomado por delicados capins, que parecem crescer da terra rumo ao céu, trazendo à tona memórias de um sonho idílico do espectador.

Todas as sensações proporcionadas pelos cenários construídos minuciosamente por Cris nos levam a crer que estamos diante de representações da natureza. Seu trabalho, entretanto, excede aquilo que se entende como uma mera reprodução do real. “O que se vê não são paisagens e, sim, o resultado da construção de uma poética”, afirma a curadora Maria Alice Milliet.