APOIO
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No próximo sábado, dia 23/9, às 17h, ocorrerá a edição aberta ao público do espetáculo de dança Corpo em Risco, no Red Bull Station. O evento é resultado do encontro de 33 pessoas de diferentes realidades socioeconômicas e culturais, que foram selecionadas para viver uma imersão de cinco dias a fim de criarem juntas um espetáculo inédito. A concepção do projeto é do bailarino, coreógrafo e diretor Rubens Oliveira, atualmente coreógrafo da Gumboot Dance Brasil e um dos selecionados da segunda edição do programa Red Bull Amaphiko Academy.

A ideia de Corpo em Risco é propor o encontro com o diferente, o estranho, o incomum e, a partir daí, descobrir mais sobre nós mesmos. Ao longo de 15 anos de carreira, Rubens percebeu o quanto fragilidades, dúvidas, erros e acertos passam pelo corpo e se tornam parte dele. No palco, muitas dessas marcas serão exibidas em uma coreografia trabalhada ao som de uma trilha sonora inédita executada ao vivo. A concepção musical é dos músicos João Taubkin (baixo), Kabé Pinheiro (percussão) e Rodrigo Bragança (guitarra).

Os participantes de Corpo em Risco receberam diversos estímulos para trazer à tona suas próprias histórias e outras que foram observadas ao longo do processo de criação. Um dos selecionados, o mineiro Lucas Alves Martins, sempre gostou de dançar, mas devido a um contexto familiar rígido, nunca havia tido nenhuma experiência na área. “Eu fui obrigado a direcionar toda a minha energia aos estudos”, conta o engenheiro eletricista. Graças ao projeto, agora está resgatando uma paixão que há muitos anos não tinha mais contato.

Diferentemente de Lucas, Bruna do Carmo de Oliveira sempre adorou dançar e nunca esteve distante do gênero. Atualmente, a pedagoga e arte-educadora trabalha com a reinserção social de crianças refugiadas e agora vê na experiência da experimentação o seu corpo também em risco. De uma forma ou de outra, os participantes transformaram suas histórias em movimentos potentes que transcendem quaisquer tipos de barreiras. Agora convidam o público para também se arriscarem junto a eles.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017
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Desenhos criados a partir de incisões e corrosões em superfícies duras, posteriormente utilizadas como matrizes para a impressão em papel. Ao longo dos mais de 20 anos de carreira, a prática foi trabalhada à exaustão pela gravurista Cris Rocha. Reconhecida por suas gravuras em metal, a artista plástica tem agora se aventurado por novos caminhos, aliando as técnicas tradicionais que domina ao processamento digital. E é o resultado desse experimento que ela apresenta em CRIS ROCHA – da gravura e além, em cartaz até 22 de setembro, na ArtEEdições Galeria. A exposição, que tem curadoria de Maria Alice Milliet, reúne 15 trabalhos da artista, alguns deles ainda inéditos.

“Com a incorporação da tecnologia digital ao meu trabalho, quebro uma série de barreiras, muitas vezes impostas por limites físicos, pelo tamanho da prensa, dos papéis ou mesmo das matrizes. Quando digitalizamos, ganhamos uma série de matizes e tornam-se infinitas as possibilidades. E isso dá um frescor ao meu trabalho que considero bastante importante”, afirma Cris.

Nesse processo, a gravura deixa de ser encarada como um produto final e converte-se em signo primeiro de um processo criativo que inclui a combinação, o tratamento e a impressão de imagens digitais. Figuras de sua autoria são fragmentadas e fundidas umas às outras, muitas vezes sobre panos de fundo de cores fluidas, concebidos a partir da gravação em água tinta sobre metal.

Em sua primeira individual na capital paulista, a artista traz composições que transbordam poesia. Algumas das séries apresentadas, por exemplo, trazem um mundo de formas sinuosas, de reflexos e transparências, construído a partir de linhas ondulantes e manchas difusas que parecem sugerir paisagens tomadas pela água. Em outras, incontáveis riscos insinuam um horizonte tomado por delicados capins, que parecem crescer da terra rumo ao céu, trazendo à tona memórias de um sonho idílico do espectador.

Todas as sensações proporcionadas pelos cenários construídos minuciosamente por Cris nos levam a crer que estamos diante de representações da natureza. Seu trabalho, entretanto, excede aquilo que se entende como uma mera reprodução do real. “O que se vê não são paisagens e, sim, o resultado da construção de uma poética”, afirma a curadora Maria Alice Milliet.

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O Nu Festival, evento de arte pública apresentado pelo Nubank com curadoria e realização do Instagrafite, anuncia quem são os artistas que vão criar obras gigantes em diferentes áreas de Pinheiros, em São Paulo, de 25 de setembro a 8 de outubro.

Todas as obras serão produzidas a partir da data de início do evento, e o público poderá acompanhar a evolução dos trabalhos – que ficarão como legado do festival ao bairro de Pinheiros, onde fica a sede do Nubank. O prédio do escritório, na esquina da Rua Capote Valente com a Avenida Rebouças, irá concentrar atividades gratuitas e exclusivas, entre elas palestras e workshops, que vão acontecer durante os dois finais de semana do evento.

Confira abaixo quem são os nomes da nova geração da arte pública que vão reimaginar a cidade no festival:

Gleo

Gleo (Cali, Colômbia) é uma artista urbana, muralista, que usa tinta látex, pincéis e rolos de pintura para criar personagens imaginativos e vibrantes inspirados nas tradições e na cultura colombiana, além das referências pictóricas de animais e simbolismos espirituais. Com trabalho colorido, detalhado e minucioso, Gleo impacta com suas cenas místicas que já chamam a atenção de cidades na Colômbia, México, Espanha, Holanda e Suécia. É hoje um dos nomes mais promissores e inovadores dentro da arte de rua mundial.

Anne Galante

Anne Galante (São Paulo, SP) é bacharel em Estilo-Moda pelo SENAC em 2008. Após trabalhar em muitas empresas do ramo, não concordou com a forma de produção e criou sua marca focada em tricô e crochê artesanal, a Señorita Galante. Sempre em busca de inovação, começou com moda, mas também faz decoração e arte. Tricota desde seus 12 anos, com o sonho de não deixar essas técnicas desaparecerem, resgatando os benefícios para a saúde do ato de fazer manual, o bem-estar e enredando reflexões sobre o consumo e a produção consciente. Em tempos de frenesi generalizado onde tudo é “fast”, ela propõe um contraponto para esse ritmo desenfreado, o “slow”: enquanto ela tricota, o público interage assistido um movimento lento que de ponto em ponto forma-se uma peça gigante, tal qual são os sonhos, onde passo a passo se torna realidade.

Fernando Chamarelli

Fernando Chamarelli (Bauru, São Paulo) é um artista plástico e ilustrador formado em design gráfico pela UNESP. Seus primeiros interesses artísticos começaram com HQs, caricaturas e retratos realistas. Mais tarde, se envolveu com a arte de rua e tatuagem. O universo de fantasias e sensações de Fernando é criado a partir de dez pilares: espiritualidade, misticismo, história, simbologia, mitologia, filosofia, astrologia, ocultismo, antropologia e geometria. As obras com cores vibrantes e uma infinidade de elementos retratam os exóticos seres que habitam a mente deste jovem artista. Suas pinturas são

como mosaicos, onde as formas orgânicas e linhas harmônicas se entrelaçam para criar intrigantes personagens. Uma linguagem visual contemporânea que faz o observador viajar através do tempo e perceber grandes conexões entre o antigo e o moderno, oriente e ocidente, interior e exterior e especialmente entre o material e o espiritual. Chamarelli já participou de exposições coletivas e realizou exposições individuais também fora do Brasil, em várias cidades dos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, México, Espanha, Alemanha, entre outros países.

http://chamarelli.com.br

https://www.instagram.com/fernando_chamarelli

Coletivo MUDA

O Coletivo MUDA (Rio de Janeiro, RJ) vê a cidade como um laboratório de transformação. MUDA vem de mudança. Associada à arte de rua, as suas intervenções espaciais alteram de fato a natureza das cidades, onde espaços públicos agora servem de palco para as suas mais variadas manifestações através de composições de azulejos, seu principal material de trabalho. A partir de uma forte ligação com a arte urbana e a cidade, o grupo formado em 2010 pelos designers Bruna Vieira e João Tolentino, e pelos arquitetos Diego Uribbe, Duke Capellão e Rodrigo Kalache, iniciou suas experimentações com interferências no espaço público, que em pouco tempo se tornaram instalações complexas e pragmáticas. Cada intervenção é site specific, ou seja, pensada exclusivamente para o local em que será instalado, e seus módulos estudados para manter a harmonia total da composição. O azulejo branco, limpo, polido, que além de possuir uma carga histórica muito forte, contrasta com os espaços esquecidos da cidade dando nova vida às nossas paisagens urbanas. http://coletivomuda.com.br

https://www.instagram.com/coletivomuda

Criola

Criola (Belo Horizonte, Minas Gerais) é a identidade assumida por Tainá Lima para apresentar o seu trabalho artístico, enquanto mulher e representante negra no mundo do graffiti. Faz parte da nova geração de artistas urbanos brasileiros e conduz a sua produção diante das assimilações cotidianas e dos embates constantes sobre as mais diversas questões, pautadas principalmente no universo feminino e orientadas através da busca pela conexão consciente com a sua ancestralidade através de uma paleta de cores vibrante, com matrizes africanas. Bacharel em Design de Moda pela Universidade Federal de Minas Gerais, ela também lança mão do vestuário como linha de pesquisa. Criola pode ser considerada a primeira porta-voz da nova safra feminina de artistas urbanas que utilizam o graffiti como instrumento de afirmação e empoderamento negro.

https://www.facebook.com/criolagraff

https://www.instagram.com/criola___/

Renan Santos

Renan Santos (Canoas, Rio Grande do Sul) é ilustrador autodidata. Estudou arquitetura, mas decidiu mudar sua trajetória para fazer o que realmente gosta: desenhar. Do desenho para a gravura em metal, da gravura para a pintura. Hoje em dia trabalha nos três segmentos consecutivamente mantendo sempre a mesma identidade. Dentre os trabalhos que fez, estão publicações infantis e infanto-juvenis, murais de grandes escalas, trabalhos estampando roupas e objetos, exposições e feiras de arte. Recentemente ilustrou uma reedição de “Dom Quixote”. Das diversas exposições coletivas, dentro e fora do Brasil, três se destacam: Galeria Hatos, em Tóquio, Galeria Hellion, em Portland e, em Paris, na galeria Artistik Rezo. O estilo de trabalho vem baseado nas histórias ilustradas no séc. XIX. Com desenhos cheios de hachuras feitos em chapas de cobre e impressos manualmente, resgata em suas peças a forma e as técnicas de artistas como Gustave Dore, J.J. Grandville, Edmund Dulac e outros ilustradores que influenciam seu trabalho.

Lelo

João Lelo (Rio de Janeiro, RJ) é artista carioca autodidata, mais conhecido por seu trabalho de muralismo, que realiza desde 1999. Sua produção abrange também pinturas, desenhos, gravuras, vídeos e, mais recentemente, esculturas e objetos. Suas obras têm como característica as composições geométricas de forte diagramação construtivista, onde animais, pessoas ou imagens mais abstratas – escolhidas por possuírem alguma simbologia interessante – são retratados de forma sintética. Representados pela interação de formas chapadas, texturas e padrões criados e desenvolvidos pelo artista, ou reaproveitados de algum material encontrado. Seus trabalhos já foram exibidos em exposições e publicações no Brasil, Argentina, Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Áustria, Grécia e África do Sul. E seus murais podem ser vistos por todo o mundo, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde tem seu estúdio atualmente.

Toco-Oco

Guilherme Neumann e Lara Alcantara (São Paulo, SP) são formados em Artes Visuais pela Faculdade Belas Artes de São Paulo. Trabalham juntos há 10 anos, participando de diversas exposições, individuais e coletivas, e, desde 2012, desenvolvem a Toco-Oco. Produzidos com diversos materiais como madeira, resina, tecido, cerâmica e cera, os bonecos são para adultos e crianças. Além disso, produzem esculturas, instalações de parede, pinturas, aquarelas e o que mais vier à mente.

VJ Suave

VJ Suave (São Paulo e Argentina) é formado por Ceci Soloaga e Ygor Marotta e trabalha com animação, onde quadro a quadro é projetado na superfície urbana, misturando tecnologia com arte de rua. Com suas obras, a dupla propõe um momento único de conexão entre o espectador e a cidade, misturando histórias animadas com vida real. A animação é desenvolvida a partir de desenhos rabiscados à mão e projetados de acordo com a arquitetura do espaço: paredes, árvores, edifícios e diferentes superfícies da cidade. Através dos seus “Suaveciclos”, bicicletas criadas com projetores, invenção do próprio casal, eles levam projeções às ruas e se comunicam com pessoas através de desenhos, animações e poesia.

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O artista plástico Alê Jordão promoverá, nos dias 16 e 30 de setembro, duas oficinas de neon abertas ao público em seu ateliê. A iniciativa, que ocorre em paralelo à Iluminata, exposição promovida no espaço pela galeria Choque Cultural, tem como intuito propiciar aos participantes uma experiência imersiva em seu processo criativo, gerando neles sensações diversas – sejam visuais, sensoriais ou até mesmo auditivas. Para isso, o artista lança também uma trilha sonora autoral, assinada pelo projeto L’opera Di Chi Collabora (Felicio e Meu Nome é Carlos).

As oficinas permitirão aos curiosos pela arte presenciar, de perto, como surge a luz neon. A experiência será cadenciada pela trilha inédita, pilotada ao vivo por seu idealizador. Em ritmos que vão do tango argentino ao punk rock, as músicas condensarão sons industriais e ruídos de correntes elétricas, combinadas às frases que dão forma às obras em neon.

“A luz neon provoca sempre um encantamento nas pessoas, talvez pelo destaque das peças, talvez por certa nostalgia”, afirma Ale Jordão. “Cada obra é um recomeço. Cada peça é única. Como no murano, a torção no vidro não se repete. Trabalhar com o neon é uma paranoia delirante, minha nova forma de expressar o grafite”, diz o artista, lembrando que, em grego, a palavra também remete a algo novo.

Acompanhado por um especialista, Alê Jordão fará uma série de demonstrações ao vivo, expondo ao público seu processo de criação. Os vidros serão modelados, soprados e iluminados com o uso de maçaricos e instrumentos elétricos. Os convidados também poderão conferir como se formam as cores do neon – uma quase mágica combinação de gases e vidros coloridos.

O público será convidado a interagir e poderá, inclusive, levar algumas peças para casa. Ao final da experiência, os convidados receberão uma pulseira pen drive com a trilha sonora.

Com curadoria de Baixo Ribeiro, Iluminata apresenta obras recentes do artista, nas quais a luz – refletida, projetada, impressa ou sugerida – é a verdadeira protagonista. A mostra é organizada em núcleos, que se integram por meio de grandes instalações e dão uma nova cara ao espaço expositivo de 500 metros quadrados, oferecendo uma potente experiência imersiva. A exposição segue em cartaz até 29 de setembro.

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Além de ilustrar a contribuição do arquiteto autodidata André Carloni para a preservação do patrimônio cultural capixaba, a Exposição André Carloni, Arte com Memória revela ao público seu olhar artístico particular sobre os bens culturais da região. A mostra está aberta a visitação no Arquivo Público do Espírito Santo, em Vitória, a partir de 31 de agosto. Protagonista das transformações arquitetônico-urbanísticas realizadas em Vitória (ES) no início do século XX, Carloni elaborou ao longo de sua vida diversos desenhos que retratam a cultura material do Estado.

A exposição é composta por desenhos a bico de pena pertencentes ao acervo do Iphan, do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, da Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e do Museu Solar Monjardim. André Carloni foi o responsável por restauração em bens como o Convento da Penha, Igreja de Reis Magos e Capela Santa Luzia.
Parte dos desenhos foram feitos por Carloni enquanto representante do Iphan no Espírito Santo, entre 1939 a 1965, e retratam bens tombados pelo Instituto no Estado e outros bens históricos que foram pesquisados durante sua atuação no Instituto. Mas há também imagens criadas em épocas diversas, quando Carloni atuava como desenhista e também responsável por obras realizadas na capital capixaba durante o processo de modernização da cidade.

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A Luis Maluf Art Gallery apresenta, de 1º a 31 de setembro, a exposição “Endoexorama”, assinada pelo artista visual Francisco Rosa. Pautada nas questões relacionadas ao interior e exterior das coisas, a mostra pretende surpreender o público com a exibição de 14 esculturas inéditas. Nascido na cidade de Viçosa, Minas Gerais, em 1975, Francisco Rosa sempre esteve envolvido com assuntos que dizem respeito à criatividade.

O artista transita por várias linguagens artísticas tendo como base a reutilização de resíduos sólidos do ambiente urbano, que é seu campo de pesquisa artística há mais de 15 anos. Seus trabalhos tem um caráter artesanal muito bem integrado à produção contemporânea mundial. Já participou de várias exposições coletivas, sendo duas internacionais e diversas individuais.

Reconhecido por desenvolver as suas obras através do manuseio de fios de arame, como alumínio, galvanizado, ferro recozido e cobre, nesta individual, Francisco sugere um olhar e uma reflexão ao público, sobre o que acontece dentro e fora de cada uma de suas esculturas. Por este motivo, a mostra chama-se “Endoexorama”, neologismo criado pelo artista.

“Eu uso a escultura para discutir o desenho. Essa exposição será composta por uma série de desenhos expandidos, que do ponto de vista formal, utiliza do vocabulário do desenho como: volumes, texturas e hachuras através do uso da linha”, finaliza Rosa.

Vale ressaltar que Francisco Rosa tem na sua arte, um olhar voltado à sustentabilidade, por reaproveitar e dar outros significados aos fios de arame na sua poética e nas suas criações. Saiba mais sobre esta e outras exposições apresentadas pela Luis Maluf Art Gallery.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017
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Em setembro do ano passado, assim que foi anunciada como curadora de Frestas — Trienal de Artes do Sesc Sorocaba, a crítica de arte e curadora independente Daniela Labra antecipava ao Mais Cruzeiro que o vetor da exposição apontaria para as ambiguidades da arte contemporânea, “porque uma produção artística não responde a regras e não existe certo ou errado”.
Interessada em pensar nos espaços, ou frestas, entre os diferentes discursos da arte, dos acontecimentos e das pós-verdade, Daniela revelava que as ambiguidades se traduziriam inclusive em arte que não tem matéria.
É o caso do trabalho do artista visual Rafael RG, cuja a materialidade da obra se deu no seminário intitulado Ano Passado eu morri, mas esse ano eu não morro, apresentado na noite da última terça-feira (22). O evento/obra foi pensado durante a residência artística de Rafael em Sorocaba, iniciada em 25 de julho. A partir das experiências e impressões acumuladas durante quase um mês na cidade, o artista, natural de Guarulhos e radicado em Belo Horizonte (MG), redigiu um texto poético que foi lido para o público inscrito. “Escrevi tudo baseado nas redes de afeto que eu criei na cidade nesse período”, conta o artista.
Em seguida, o seminário recebeu a atriz baiana radicada em Sorocaba Linda Duares, convidada por Rafael, que fez um depoimento emocionado, relatando experiências pessoais relacionadas à migração, preconceito, racismo e a arte como ofício. “A gente falou de vários assuntos, mas o tema principal foi a resistência. A resistência de fazer o que a gente acredita”, complementa RG.
Rafael detalha que chegou à Linda através da rede de afetos construída em sua estada na cidade, dispensando processos convocatórios burocráticos. “Eu queria uma mulher negra, mais velha e que tivesse uma relação histórica com a cidade, mas o mais importante era amar ser artista. E ela foi a pessoa certa”, diz.

Graduada em Arte-Educação, Linda Duares admite que a princípio não entendeu bem a proposta de Rafael, mas rapidamente as ideias foram se conectando até soarem complementares durante as falas do seminário. “No começo eu não entendi bem o que ele queria, mas eu não queria decepcionar. O convite foi um presente dos deuses e nos entendemos muito bem. Só estou triste porque vai embora”, afirma a artista.
Segundo Rafael RG, uma das premissas da obra, criada especialmente para o Frestas, é que o seminário jamais seja reapresentado. Dentre o pequeno grupo de cerca de 20 pessoas que puderam testemunhar a atividade estava o estudante de Arquitetura mediador cultural de Frestas, José Francisco. “O que me impressionou foi toda a resistência e perseverança da Linda, que falou das adversidades com leveza, sem se vitimizar”, disse. “E teve o olhar aguçado do Rafael, que percebeu coisas da cidade que a gente que mora aqui muitas vezes não vê”, afirmou.

Baseado nas experiências vivenciadas na cidade nas últimas semanas, o texto de Rafael RG escrito especialmente para o seminário deverá ser publicado na íntegra em novembro, no catálogo da 2ª edição de Frestas. Segundo ele, a obra foi desenvolvida com base nas “redes de afeto” construídas neste período e também em marcos da história da cidade como João de Camargo e o episódio que ficou conhecido como Noite do Beijo. “Mais do que um território de contradições, eu percebi que Sorocaba é um tabuleiro de um jogo aberto. É conservador, mas tem espaços de escuta e de troca. Não existe um muro, e sim uma grade, que você consegue ver o outro lado e até desfazê-la por meio da negociação e da conversa”, afirma o artista, cujo os dreads e unhas das mãos e dos pé pintadas suscitavam estranhamentos em alguns espaços que frequentava.
Segundo RG, o seminário informal, cujo o título foi extraído da canção Sujeito de sorte, de Belchior, foi uma espécie de injeção de ânimo para prosseguir na luta e resistência pelas liberdades individuais frente à onda conservadora crescente no Brasil e no mundo. “Eu digo [no texto] que acordei mal com as coisas que passavam na minha timeline [das redes socias], com as notícias do jogo político que são disseminadas para destruir as subjetividades e retirar a nossa força de se levantar e fazer algo. Pode até ser utópico, mas não podemos desanimar e perder a vontade de querer mudar as coisas. Um outro mundo é possível”, conclui.

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Em continuidade a sua agenda de exposições temporárias, a Verve Galeria inaugura “15 Fotógrafos”, com curadoria de Ian Duarte Lucas e 18 fotografias de Armando Prado, Beatriz Albuquerque, Cristiano Mascaro, Flavio Samelo, Gabriel Wickbold, Guilherme Licurgo, Jairo Goldflus, Janaina Matarazzo, Juan Esteves, Kikyto Amaral, Luisa Malzoni, Luiz Bhering, Pierre Verger, Roberto Cecato e Vania Toledo. Em meio ao bombardeio de imagens que permeiam intensamente o cotidiano, onipresentes tanto no âmbito público como no privado, a coletiva propõe destacar os aspectos investigativo e provocador da Fotografia, explorando a produção autoral destes artistas.

Sem temática específica, a imagem em preto e branco representa o fator em comum entre os trabalhos da nova mostra coletiva da Verve Galeria. A fotografia em preto tem o poder de abstrair a beleza do pensamento conceitual que está na gênese do trabalho dos fotógrafos. Neste sentido, diferentes posturas e temáticas são exploradas por meio desta técnica, que já produziu fotografias tão icônicas ao longo da História.

Para a coletiva, o olhar do fotógrafo é o ponto de partida do qual são originadas inúmeras imagens que exploram a complexa relação tempo-espaço. A leitura da fotografia ocorre então de maneira não linear, em que relações significativas são geradas entre os elementos da imagem e os processos que nela resultam. Desta forma, a fotografia tem a capacidade de explorar a dialética interna das imagens que construímos do mundo, nos desafiando a refletir sobre os conceitos que temos da realidade. Como analisa o curador Ian Duarte Lucas: “No tempo das várias velocidades, em que as imagens continuam sendo as principais mediadoras entre nós e o mundo, o olhar sempre atento dos fotógrafos tem a virtude de descortinar novas perspectivas, verdadeiras janelas de consciência para uma realidade que necessita de cada vez mais compreensão”.

terça-feira, 22 de agosto de 2017
Galeria Vermelho, São Paulo, Brasil

A SP-Arte/Foto/2017 vem aí com uma programação diversa que reúne expositores no Shopping JK Iguatemi, lançamentos de livros e mostras pela cidade. Um dos destaques desta edição da Feira de Fotografia de São Paulo é o Escambo de fotolivros, que acontece na galeria Vermelho, hoje no dia 22 de agosto, das 19h às 22h30.
A ideia é simples: leve aquele fotolivro que você gostaria de passar adiante e troque por uma das opções disponíveis no local. Lembre-se que a publicação deve ser necessariamente ligada à fotografia e, muito importante, deve estar em bom estado! Cada livro levado dará direito a apenas uma unidade na troca.
Para começar a brincadeira, a SP-Arte vai disponibilizar alguns fotolivros e as publicações que restarem na mesa serão doadas à Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. Aproveite para renovar sua estante e ainda contribuir para o acervo público sobre fotografia.
No mesmo dia, será exibida na galeria Vermelho uma Livrotecagem, programação organizada pela artista Denise Gadelha em parceria com a SP-Arte, que envolve projeção de fotolivros e muita música.

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A 11ª SP-Arte/Foto, que ocorre no JK Iguatemi de 24 a 27 de agosto, com um preview no dia 23, reúne em um só local as principais galerias do país ligadas ao fazer fotográfico, com obras de alguns dos mais importantes artistas da contemporaneidade brasileira e mundial. O evento pretende ainda ampliar o conhecimento daqueles que se interessam pela linguagem.

A edição deste ano da Feira promove uma ampla programação, que contempla uma série de palestras com curadores e especialistas para o debate das perspectivas da fotografia contemporânea no Brasil e no mundo e abriga o lançamento de 20 livros voltados à fotografia.

Pela primeira vez e gratuitamente, a SP-Arte/Foto oferece ao público visitas guiadas com os temas fotografia moderna, contemporânea, documental e fotojornalismo, fotografia expandida e a cidade e a arquitetura na fotografia. Estreitar os laços entre os trabalhos expostos e os visitantes do evento, com foco final em formar público apreciador de fotografia, move a iniciativa, oferecida pela Vivo.

Os seis circuitos se alternarão em nove visitas diárias, com partidas a cada 30 minutos, sempre das 14h30 às 18h30. Para participar, os interessados deverão se inscrever no balcão de visitas guiadas (2o piso da Feira).

Realizada neste ano com patrocínio da Fundação Marcos Amaro, a 4ª edição do Talks ocorre nos dias 24 e 25 de agosto, das 16h30 às 18h30, no Lounge One do JK Iguatemi. As inscrições são gratuitas e o público deve chegar com 30 minutos de antecedência para a retirada de senha. As vagas são limitadas e haverá tradução simultânea do inglês para o português.

Na quinta-feira, 24, Fernanda Feitosa, colecionadora, fundadora e diretora da SP-Arte/Foto, conversa com Artur Walther, colecionador e fundador do The Walther Collection, museu dedicado à promoção da fotografia, com unidades em Neu-Ulm, na Alemanha, e em Nova York, nos Estados Unidos. A perspectiva antropológica da fotografia e a motivação em tornar pública uma coleção particular são alguns dos pontos que serão abordados durante a conversa.

No mesmo dia, a jornalista e crítica de fotografia Simonetta Persichetti conversa sobre os desafios da cena contemporânea com Michael Famighetti, editor da Aperture, revista americana especializada em foto, fundada em 1952.

Na sexta, 25, Paulo Miyada, curador do Instituto Tomie Ohtake, guia um bate-papo com Simon Baker, curador de fotografia da Tate, de Londres. Chefe do departamento de fotografia do museu desde 2009, quando foi criado, Baker é também responsável pela estratégia de expansão do acervo de fotografia da instituição. Na SP-Arte/Foto, comenta o seu papel enquanto curador de um dos centros de arte mais importantes no mundo e reflete sobre a função dos museus na atualidade.