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rimas

No sábado, dia 21, às 16h, o Mês da Cultura Independente (MCI), realizado pela Secretaria Municipal de Cultura, se une ao canal de YouTube Rap Box, para apresentar um cypher criado exclusivamente para o evento, que acontece no Boulevard São João, histórico cenário de batalhas de rap e bailes na cidade de São Paulo. A parceria entre o MCI e o canal, que é o maior brasileiro dedicado ao rap e hip-hop, cria um movimento de troca cultural da internet para a rua e vice-versa.

Batizada de RapBox Live, a programação reúne alguns dos principais nomes da cena hip-hop, como Rimas & Melodias, Froid, Lívia Cruz, entre outros.

Conhecido por produzir e registrar cyphers – rodas de MCs onde cada participante cria suas rimas de forma improvisada – o canal RapBox, idealizado pelo produtor musical Léo Casa1, promove uma apresentação inédita no MCI. Depois dos shows individuais, os artistas e grupos, que já passaram pelo canal, subirão juntos ao palco para participar do CypherBox e celebrar o rap nacional

O propósito é levar o conteúdo, que faz muito sucesso nas redes sociais e sites de compartilhamento de vídeos, às ruas da capital paulista. Após o evento, todas as apresentações serão disponibilizadas online no canal Rap Box no YouTube, fazendo o caminho inverso: do espaço público para a atmosfera virtual.

Confira a programação de shows:

Rap Box Live

Criado por Léo Cunha, o Rap Box, maior canal brasileiro dedicado ao Rap, traz ao Mês da Cultura Independente um lineup representativo com seis dos principais nomes da cena. Além dos shows, uma cypher pensada exclusivamente para o MCI, a fim de levar para a rua o que apresentam virtualmente. O evento será gravado e o resultado disponibilizado no canal Rap Box Live.

16h – DJ EB
16h30 – Nocivo Shomon
17h10 – Lívia Cruz
17h50 – PrimeiraMente
18h30 – Síntese
19h10 – Froid
19h50 – Rimas & Melodias
20h50 – CypherBox
21h – DJ EB

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Performance, ato, espetáculo e filme. Plano-Sequência – Take 2, novo trabalho do bailarino e coreógrafo Jorge Garcia, não tem uma única definição. É cheio de possibilidades e leituras. A criação estreia na segunda, 16, na Casa das Caldeiras. Desde sua origem, em 2005, a Jorge Garcia Companhia de Dança investiga o cruzamento com diferentes linguagens artísticas. Agora, explora as possibilidades entre o movimento dos corpos e o cinema. Em pouco mais de uma hora, Garcia e mais sete bailarinos criam um longa-metragem em plano-sequência enquanto se movem pelo espaço.

Plano-Sequência
Imagens do espetáculo ‘Plano-Sequência – Take 2′ Foto: Silvia Machado
“Coreografamos não só a movimentação, mas toda a parte de enquadramento. Estou tentando tirar o máximo de equipamentos mecânicos. Tudo é corpo. Se a gente faz um travelling (deslocamento da câmera pelo espaço), é um corpo que desliza, que puxamos pelo chão. Tem um bailarino que filma com patins. É a câmera como extensão do corpo. Os bailarinos se filmam e a gente vai trocando a câmera de um para o outro”, explica o coreógrafo.

O público pode assistir ao trabalho acompanhando de perto a coreografia ou olhando as imagens capturadas ao vivo em uma tela. São várias camadas de movimentos: a dança de quem é filmado, a de quem segura a câmera, a daqueles que auxiliam o bailarino cinegrafista, o percurso feito no ambiente, o fluxo das imagens na tela. O músico Eder “O” Rocha cria a trilha em sua bateria no momento da apresentação.

Garcia queria que o longa tivesse “o máximo de qualidade possível”. “A ideia é, no final da temporada, ter um filme pronto na Casa das Caldeiras”, diz. Para isso, o elenco passou por quatro workshops. Em um deles, o artista multimídia e bailarino Joaquim Tomé os ensinou a explorar técnicas de manuseio da câmera usando o corpo. A companhia também estudou dramaturgia, captação de áudio, luz e fotografia.

O grupo contou ainda com a ajuda do cineasta Heitor Dhalia, a quem Garcia chama de “nosso provocador em cinema”. Recifenses, os dois se conheceram em São Paulo. Há algum tempo, Dhalia começou a frequentar as aulas de ioga na Capital 35, sede da companhia, enquanto filmava seu novo documentário On Yoga: Arquitetura da Paz, apresentado na última semana no Festival do Rio.

Dhalia, que afirma sempre ter adorado dança, já havia colaborado com a obra anterior de Garcia, Take a Deep Breath (2016), que também usou o vídeo para investigar a cena, relações e espaço. “Tentei trazer ideias do modo de pensar do cinema para a dança. O trabalho do Jorge é incrível. Para mim, é uma experiência ver como um criador de dança pensa. Estamos tentando um diálogo entre essas duas áreas”, conta Dhalia.

Plano-Sequência – Take 2 começou a ser desenvolvido no começo do ano. Há cinco meses, a companhia trabalha quase diariamente na Casa das Caldeiras, onde realiza residência artística. Na primeira metade do século 20, o edifício histórico produzia energia para o parque industrial do conde Francisco Matarazzo (1854-1937). Em 1986, o prédio foi tombado e, 12 anos depois, começou a ser restaurado. Hoje, recebe eventos e atividades culturais. Garcia também propôs um diálogo entre seu trabalho e o lugar.

O roteiro desse espetáculo-filme foi sendo construído assim, a partir de vínculos entre pessoas, espaços e o mundo contemporâneo. “A gente está trazendo elementos de relações que, hoje em dia, necessitamos mais. Troca de olhar, pensar no toque com o outro, como podemos dialogar com o outro. Estamos sempre nos ajudando nesse trabalho. Acho que a gente se potencializa estando juntos mais do que querendo impor uma visão própria em cima dos outros. Tento falar sobre isso, não com uma narrativa com começo, meio e fim, mas com imagens e sensações dentro delas”, afirma Garcia.

JORGE GARCIA CIA. DE DANÇA

Casa das Caldeiras

Avenida Francisco Matarazzo, 2.000, tel. 3873-6696

2ª a 5ª, às 17h e 20h

Grátis

Até 24/10

Juliana Ravelli, Especial para o Estado

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No dia 19 de outubro de 2017, a Galeria Mario Cohen, uma das primeiras dedicada à fotografia no Brasil, recebe a exposição “Um Passeio Pela Nobreza”, assinada por Walter Firmo (80), considerado nome fundamental na história da fotografia brasileira, com abertura para convidados, a partir das 19h, que acontece na galeria, localizada na Rua Joaquim Antunes, n° 177, em Pinheiros, São Paulo. O período expositivo é de 20/10 a 18/11.

São expostas 14 fotos, entre elas, registros de artistas como Cartola, na Marquês de Sapucaí (16x23cm); Cartola e amigos, na GRES Mangueira (16x23cm); Cartola e Dona Zica, na GRES Mangueira (23x15cm); Chico Buarque, em Copacabana (15x23cm); Clementina de Jesus, na Quinta da Boa Vista (16x23cm); Clementina de Jesus, no Grajaú (15x23cm) e Clementina de Jesus, no palco (15x23cm); Dona Ivone Lara, em Bonsucesso (23x15cm); Dona Zica e Pixinguinha, em Ramos (2 fotos – 15x23cm e 17x23cm); Madame Satã (23x16cm); e Moreira da Silva, em Rio Comprido (16x23cm). O público colecionador pode adquirir uma caixa com seis imagens de 23x18cm, cada uma com tiragem de apenas 10 cópias.

Walter Firmo, reconhecido pelo principal tema de seu trabalho – a figura humana – revela tradições e culturas por meio de contrastes e cores saturadas. Mostra seu peculiar interesse por cenas e personagens que estão longe dos holofotes, nos subúrbios. Equilibra a história de cada personagem com a mesma exuberância. Em seu trabalho, a beleza de moradores de subúrbios, menos favorecidos, em situações cotidianas, é a mesma de artistas consagrados como Clementina de Jesus, Chico Buarque, Djavan, Fafá de Belém e Tim Maia, das gravadoras RCA e Odeon, fotografados por Firmo nas décadas de 1970 e 1980.

Walter Firmo é referência e inspiração para nomes importantes da área, como o fotógrafo Bob Wolfenson. “Suas fotografias não falam de fotografias, não têm efeitos mirabolantes, nem filigranas de estilo, vão direto ao assunto. São um libelo contra a pressa e a vulgaridade. Guiados por seu olhar singular e delicado, revisitamos um Brasil mítico que parece não existir mais. Suas imagens nos convidam a passear pela nobreza e elegância da cultura negra.”, afirma.

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De 19 de outubro a 1º de novembro, acontece em São Paulo a tradicional Mostra Internacional de Cinema. Durante duas semanas, serão exibidos 394 títulos de variados países e diversas cinematografias, contando os 30 curtas-metragens inseridos em retrospectiva, apresentação especial e programação de realidade virtual (VR). Os filmes serão apresentados em mais de 30 espaços, entre cinemas, espaços culturais e museus espalhados pela capital paulista, incluindo exibições gratuitas e ao ar livre. A seleção deste ano faz um apanhado do que o cinema contemporâneo mundial está produzindo, além das principais tendências, temáticas, narrativas e estéticas produzidas em todo o mundo.

Isso se observa desde o filme de abertura, Human Flow – Não Existe Lar Se Não Há Para Onde Ir, do artista chinês Ai Weiwei, encabeçando uma lista de longas que abordam a grave crise mundial dos refugiados, até a homenageada pelo Prêmio Humanidade, a cineasta belga Agnès Varda, ressaltando a presença marcante das mulheres diretoras nesta edição. Outra homenagem deste ano é para o diretor Paul Vecchiali, que receberá o Prêmio Leon Cakoff. E, como tradicionalmente faz nas últimas edições, destacando a produção cinematográfica de um país ou região, a 41ª Mostra apresenta o Foco Suíça, com longas contemporâneos, uma retrospectiva da obra de Alain Tanner e a exibição de curtas do animador Georges Schwizgebel.

Além de Apresentações Especiais e das Retrospectivas do cineasta suíço e dos homenageados, a Mostra Internacional de Cinema apresenta as produções selecionadas nas seções da Competição Novos Diretores, que exibe títulos de diretores que tenham realizado até dois longas (os mais bem votados pelo público serão vistos pelo Júri Internacional, que escolhe posteriormente os que vão receber o Troféu Bandeira Paulista), e Perspectiva Internacional, que apresenta títulos recém-premiados e trabalhos de diretores já consagrados. A produção brasileira também ganha destaque com o Prêmio Petrobras de Cinema, que contemplará dois filmes brasileiros da seleção, para apoiar a distribuição dos mesmos no circuito comercial.

A seleção de títulos da 41ª Mostra apresenta filmes premiados em festivais internacionais, como The Square, de Ruben Östlund, vencedor da Palma de Ouro em Cannes; Loveless, de Andrey Zvyagintsev, que levou o Prêmio do Júri na mesma competição; Esplendor, de Naomi Kawase, agraciado pelo júri ecumênico no evento; e os selecionados Happy End, de Michael Haneke, O Dia Depois, de Hong Sang-Soo, Lover For a Day, Philippe Garrel, e A Trama, de Laurent Cantet. De Veneza, vêm os longas Custódia, de Xavier Legrand, Leão de Prata de Melhor Direção; Emma, de Silvio Soldini, exibido hors concours no festival italiano; e os premiados na seção Horizontes, Nico, 1988, de Susanna Nicchiarelli; Sem Data, Sem Assinatura, de Vahid Jalilvand; e Os Versos Esquecidos, de Alireza Khatami. Filmes premiados em Berlim também fazem parte da programação, como Félicité, de Alain Gomis, ganhador do Grande Prêmio do Júri; O Outro Lado da Esperança, de Aki Kaurismaki, vencedor do Urso de Prata de Melhor Direção; Noites Brilhantes, de Thomas Arslan, que teve o ator premiado; 1945, de Ferenc Török, agraciado pelo público na seção Panorama; Ana, Meu Amor, de Calin Peter Netzer, cuja montagem foi premiada; além de Django, de Étienne Comar, que abriu o evento.

O vencedor do Festival de Toronto, Três Anúncios para um Crime, de Martin McDonagh, está presente na seleção, assim como Doce País, de Warwick Thornton, eleito o melhor filme da Toronto Plataform no evento. De Locarno, esta edição traz 9 Dedos, de F.J. Ossang, premiado como Melhor Direção; e outros reconhecidos pelo festival: Cocote, de Nelson Carlo de los Santos Arias; Irmãos Do Inverno, de Hlynur Pálmason; Scary Mother, de Ana Urushadze; Aqueles Que Estão Bem, Cyril Schäublin; e Lucky, de John Carroll Lynch, que traz um dos últimos trabalhos do ator Harry Dean Stanton. A seleção ainda apresenta filmes premiados em Sundance (Livre e Fácil, de Jun Geng), Roterdã (Tempo de Qualidade, de Daan Bakker), Tribeca (Mulheres Divinas, de Petra Volpe) e South by Southwest (Inflamar, Ceylan Özgün Özçelik), sem contar os títulos brasileiros reconhecidos em premiações e seleções de festivais internacionais.

Outros destaques deste ano são Com Amor, Van Gogh, de Dorota Kobiela e Hugh Welchman; Terra Heroica, Fronteira Queimada, de Nicolas Klotz e Elisabeth Perceval; A Maldita Primavera, de Marc Ferrer; O Jovem Karl Marx, de Raoul Peck; O Terceiro Assassinato, de Hirozaku Kore-Eda; Outrage Koda, de Takeshe Kitano; Napalm, longa sobre a Coreia do Norte dirigido por Claude Lanzmann; Abrigo, de Eran Riklis, mesmo diretor de Lemon Tree, e Uma Verdade Mais Inconveniente, de Bonni Cohen e Jon Shenk, além da première mundial do longa boliviano Eugênia, de Martin Boulocq; Where Has the Time Gone?, produção dos países do BRICS, com Walter Salles, Jia Zhangke, Aleksey Fedorchenko, Madhur Bhandarkar e Jahmil Qubeka na direção dos segmentos; e dos episódios 1 e 2 da inédita série alemã Babylon Berlin, de Henk Handloegten, Tom Tykwer e Achim von Borries.

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Hoje sexta-feira dia 06, a partir das 11 horas, a Luis Maluf Art Gallery, localizada no Jardim Paulista, em São Paulo, apresenta ao público a exposição “Sintomas”, assinada pelo artista plástico e surrealista Flávio Rossi. Sob a curadoria do consagrado fotógrafo Luiz Tripolli e texto de abertura escrito pela dramaturga Camila Appel, a mostra exibe 12 peças inéditas, inspiradas nos diferentes estados mentais das pessoas, com relação a situações íntimas ou externas. A mostra segue aberta e gratuita ao público até 8 de novembro.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017
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A galeria de arte ARTE/FORMATTO, dando continuidade ao seu projeto de promover a visibilidade da produção de artistas independentes, apresenta a mostra coletiva Pontes, aberta ao público, de 4 a 8 de outubro, na Rua Colômbia, 157.

A mostra Pontes promoverá um ciclo de debates com a presença de curadores, críticos de arte, convidados e artistas, discutindo e refletindo acerca das artes visuais. Na programação, o evento apresentará “Arte & Design”, por Modernos e Eternos, intermediado por Sergio Zobaran, com presença de René Fernandes, no dia 5 de outubro. No dia 7, será a vez de discutir o tema “Percurso e reconhecimento do artista contemporâneo”, conduzido pelo curador e crítico de arte, Rafael Voigt Maia Rosa, com os convidados Bruno Dunley, Carla Chaim, Thais Rivitti e o museólogo Fabio Magalhães.

A exposição, que terá mais de 150 obras, assinadas por 50 artistas de todo o país, também apresentará o prêmio de artista ARTE/FORMATTO, no sábado, dia 7 de outubro. O evento conta com o apoio dos parceiros: Azimut, MACS, Modernos e Eternos, Guaspari e Vermeil.

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O Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS/SP, instituição da Secretaria da Cultura do Estado, exibe “Relíquia: Transcendência do Corpo”, com curadoria de Ario Borges Nunes Junior e Beatriz Vicente de Azevedo. A exposição é composta por cerca de 300 peças e retrata os 21 séculos da era cristã, a partir de um fragmento da cruz em que Jesus foi crucificado, passando por todas as fases da História, até a relíquia de S. João Paulo II, falecido em 2005. 
 
O substantivo “relíquia” provém do latim reliquiae, palavra que designa resto, aquilo que sobrou. Desde a antiguidade cristã, as relíquias dos mártires – restos mortais de santos reconhecidos oficialmente pela Igreja, além de objetos que pertenceram a eles ou estiveram em contato com seus corpos – eram consideradas pelos fiéis como mais valiosas que as pedras preciosas e mais estimadas que o ouro. Para Ario Borges Nunes Junior, o interesse pelas relíquias foi decorrente de um ímpeto adolescente e do intenso estudo sobre a vida dos santos, personagens que desde sempre chamaram sua atenção. A origem de seu acervo remonta o ano de 1976, quando começou a fazer contato com as congregações religiosas, guardiãs da memória material dos seus membros mais ilustres não só no Brasil, mas também em outros países. Em suas palavras: “Somente após minha formação como psicanalista, me fez constatar que aquele interesse adolescente genuíno sobre os santos poderia se transformar em uma transbordante fonte de reflexão sobre a natureza humana”. 
 
Esta nova exposição do Museu de Arte Sacra de São Paulo apresenta a História do mundo ocidental por meio desses objetos, elementos materiais que testemunham, ainda que minimamente, uma conjunção de histórias. A curadora Beatriz Vicente de Azevedo comenta: “A exposição ‘Relíquia, Transcendência do Corpo’ é motivo de orgulho para a cidade de São Paulo. É inacreditável e admirável que seja possível encontrar na nossa cidade um acervo tão rico e tão completo de relíquias que vão desde os primórdios do Cristianismo até os dias atuais. Visitar a exposição é a oportunidade de fazer um verdadeiro mergulho na História do mundo ocidental, tendo como base a Igreja Católica”.  

segunda-feira, 25 de setembro de 2017
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A Galeria Base, de Fernando Ferreira de Araújo e Daniel Maranhão, exibe “Geníaco”, composta por 17 obras – esculturas, xilogravuras e fotografias – de Emanoel Araújo, Gilvan Samico e Mário Cravo Neto, sob curadoria de Paulo Azeco. A coletiva busca valorizar a cultura nacional – no sentido mais impactante e restrito que este conceito possa ter -, destacando a simbologia, o etéreo e as religiosidades portuguesa e africana, elementos em comum na produção destes artistas e presentes no imaginário do povo brasileiro.

“Ser Poeta é ser um geníaco, um filho assinalado das Musas.” A citação de Ariano Suassuna, em “O Romance d`A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta” (marco inicial do Movimento Armorial no Brasil), não somente permeia o título da nova mostra da Galeria Base, como também é essencial para compreendê-la e as conexões que são estabelecidas entre os três artistas participantes. “Suassuna idealizou tal movimento como forma de valorização da cultura nordestina, agregando artes visuais, música e literatura a um tronco comum, no qual se encontravam as influências indígenas e aquelas das diásporas africanas e portuguesas na região. Uma forma peculiar de representar o país, seu povo e cultura, através da junção do erudito ao regional”, comenta Paulo Azeco.

Gilvan Samico apresenta sua obra fundamentada na Xilogravura, importante técnica da produção nordestina, tendo o Cordel como inspiração primordial. Nas palavras do curador, “O seu detalhamento, plano discursivo compartimentado e cores, remetem às iluminuras medievais europeias, contudo apresentam todo o universo lírico de causos, lendas e mitos de sua região”.

Ao longo de sua carreira, Emanoel Araújo pesquisou a geometrização ancestral dos africanos e a tomou como elemento principal de sua produção, com presença forte da Xilogravura – reflexo também da influência regionalista. Na exposição, são exibidas três esculturas que se desenvolvem a partir de uma matriz xilográfica e avançam à tridimensionalidade, revelando signos da cultura negra e sua relação com o Brasil.

Já a Fotografia de Mário Cravo Neto atinge seu ápice nas imagens em branco e preto, as quais retratam a sua Bahia e formulam questionamentos acerca dos pontos mais sensíveis na formação antropológica da região. Participa de “Geníaco” a premiada série “The Eternal Now”, em que documenta o Candomblé através de imagens impregnadas de emoção, como as que sugerem o momento de epifania no contato entre o carnal e a divindade.

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No próximo sábado, dia 23/9, às 17h, ocorrerá a edição aberta ao público do espetáculo de dança Corpo em Risco, no Red Bull Station. O evento é resultado do encontro de 33 pessoas de diferentes realidades socioeconômicas e culturais, que foram selecionadas para viver uma imersão de cinco dias a fim de criarem juntas um espetáculo inédito. A concepção do projeto é do bailarino, coreógrafo e diretor Rubens Oliveira, atualmente coreógrafo da Gumboot Dance Brasil e um dos selecionados da segunda edição do programa Red Bull Amaphiko Academy.

A ideia de Corpo em Risco é propor o encontro com o diferente, o estranho, o incomum e, a partir daí, descobrir mais sobre nós mesmos. Ao longo de 15 anos de carreira, Rubens percebeu o quanto fragilidades, dúvidas, erros e acertos passam pelo corpo e se tornam parte dele. No palco, muitas dessas marcas serão exibidas em uma coreografia trabalhada ao som de uma trilha sonora inédita executada ao vivo. A concepção musical é dos músicos João Taubkin (baixo), Kabé Pinheiro (percussão) e Rodrigo Bragança (guitarra).

Os participantes de Corpo em Risco receberam diversos estímulos para trazer à tona suas próprias histórias e outras que foram observadas ao longo do processo de criação. Um dos selecionados, o mineiro Lucas Alves Martins, sempre gostou de dançar, mas devido a um contexto familiar rígido, nunca havia tido nenhuma experiência na área. “Eu fui obrigado a direcionar toda a minha energia aos estudos”, conta o engenheiro eletricista. Graças ao projeto, agora está resgatando uma paixão que há muitos anos não tinha mais contato.

Diferentemente de Lucas, Bruna do Carmo de Oliveira sempre adorou dançar e nunca esteve distante do gênero. Atualmente, a pedagoga e arte-educadora trabalha com a reinserção social de crianças refugiadas e agora vê na experiência da experimentação o seu corpo também em risco. De uma forma ou de outra, os participantes transformaram suas histórias em movimentos potentes que transcendem quaisquer tipos de barreiras. Agora convidam o público para também se arriscarem junto a eles.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017
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Desenhos criados a partir de incisões e corrosões em superfícies duras, posteriormente utilizadas como matrizes para a impressão em papel. Ao longo dos mais de 20 anos de carreira, a prática foi trabalhada à exaustão pela gravurista Cris Rocha. Reconhecida por suas gravuras em metal, a artista plástica tem agora se aventurado por novos caminhos, aliando as técnicas tradicionais que domina ao processamento digital. E é o resultado desse experimento que ela apresenta em CRIS ROCHA – da gravura e além, em cartaz até 22 de setembro, na ArtEEdições Galeria. A exposição, que tem curadoria de Maria Alice Milliet, reúne 15 trabalhos da artista, alguns deles ainda inéditos.

“Com a incorporação da tecnologia digital ao meu trabalho, quebro uma série de barreiras, muitas vezes impostas por limites físicos, pelo tamanho da prensa, dos papéis ou mesmo das matrizes. Quando digitalizamos, ganhamos uma série de matizes e tornam-se infinitas as possibilidades. E isso dá um frescor ao meu trabalho que considero bastante importante”, afirma Cris.

Nesse processo, a gravura deixa de ser encarada como um produto final e converte-se em signo primeiro de um processo criativo que inclui a combinação, o tratamento e a impressão de imagens digitais. Figuras de sua autoria são fragmentadas e fundidas umas às outras, muitas vezes sobre panos de fundo de cores fluidas, concebidos a partir da gravação em água tinta sobre metal.

Em sua primeira individual na capital paulista, a artista traz composições que transbordam poesia. Algumas das séries apresentadas, por exemplo, trazem um mundo de formas sinuosas, de reflexos e transparências, construído a partir de linhas ondulantes e manchas difusas que parecem sugerir paisagens tomadas pela água. Em outras, incontáveis riscos insinuam um horizonte tomado por delicados capins, que parecem crescer da terra rumo ao céu, trazendo à tona memórias de um sonho idílico do espectador.

Todas as sensações proporcionadas pelos cenários construídos minuciosamente por Cris nos levam a crer que estamos diante de representações da natureza. Seu trabalho, entretanto, excede aquilo que se entende como uma mera reprodução do real. “O que se vê não são paisagens e, sim, o resultado da construção de uma poética”, afirma a curadora Maria Alice Milliet.